Holod 33 - O Genocídio dos Ucranianos (Holodomor)

22/01/2020

Esta nova edição do filme ucraniano Holod 33 foi encerrada exatamente no dia 17 de Março de 2018, final do inverno no Hemisfério Norte. Neste dia chegava ao fim o 85º ano do período retratado no filme. 85 anos antes, terminava a dramática luta de todo o povo ucraniano pela sua sobrevivência, enfrentando uma avassaladora fome sob um rigorosíssimo frio. Nesta luta, tristemente,  entre 5 e 20 MILHÕES de ucranianos não viram a Primavera de 1933 chegar.

Elevemos a eles nossas orações, sem deixar de clamar pela Justiça Divina por cada um deles.


Holod/Famine/Fome 33 conta uma história fictícia de uma família que se passa durante um fato verdadeiro e histórico, escondido pela mídia brasileira (e pela mundial por muitos anos) por seu viés socialista: o HOLODOMOR ou o GENOCÍDIO POR FOME promovido pela União Soviética de Stalin no inverno (que acabou sendo um inFerno) do hemisfério Norte de 1932 a 1933.

Ele foi filmado originalmente em película de 35mm, ou seja, sem uso de equipamentos digitais, deixando-o com uma imagem menos nítida, um pouco forte de contraste (não sei se foi problema na hora da digitalização da película pois até no DVD original que consegui há esse problema) e com manchas em alguns quadros.

Foi feita uma pequena reedição no filme, melhorando os créditos do filme e tirando alguns pontos de emenda feita na película original do filme que apareciam principalmente na passagem para as imagens coloridas. Além disso, o áudio foi remasterizado, limpando e reequalizando-o, a fim de melhorar um pouco a qualidade para que haja uma melhor emissão em equipamentos de som de alta fidelidade e potência. Peço que digam nos comentários se gostaram do resultado.

A dor das vítimas merecia ser retratada com a melhor qualidade possível, em honra deles.

UM PEDIDO ESPECIAL. Quem for ucraniano ou souber a língua ucraniana e puder mandar nos comentários a tradução do texto que aparece no minuto 1:29:00 eu agradeceria enormemente pois não achei uma única tradução com esse texto em língua alguma!

Tradução livre da crítica de Andrei Rogatchevski em 2009

Famine '33 (Holod-33) é o primeiro longa-metragem sobre a fome de 1932-33 na Ucrânia soviética. No decorrer da fome, conhecida como Holodomor, deliberadamente organizada sob ordens do Kremlin para forçar o campesinato ucraniano à coletivização, milhões de pessoas perderam a vida. Não é surpreendente que o discurso público sobre o assunto tenha sido desencorajado na União Soviética e o diretor de cinema Oles Ianchuk teve que adaptar o livro de 1963 Zhovtyi kniaz (The Yellow Prince - O Príncipe Amarelo) do autor emigrado ucraniano Vasyl' Barka (1908- 2005), e buscar ajuda do historiador americano James E. Mace (1952-2004), diretor executivo da Comissão dos EUA sobre a Fome da Ucrânia no final da década de 1980, na tentativa de encontrar um equilíbrio entre os fatos e a licença artística ao fazer uma versão de tela desse evento histórico.

Estes eventos são mostrados através do destino da família fictícia de Katrannyk (um marido, uma esposa, uma sogra e três filhos), dos quais apenas um, um menino chamado Andrii, sobrevive à fome. Na atmosfera de loucura infligida pela fome, suicídios e canibalismo que afligem a aldeia nativa de Katrannyks, outros membros da família morrem, um a um, seja de choque causado pelo fato de seus últimos suprimentos serem confiscados, seja vítima de sequestro (para ser canibalizado), seja baleado ao pedir farinha em um moinho fortemente protegido, seja de outras causas, mas igualmente brutais. Os comunistas locais têm uma razão particular para não gostar dos Katrannyks, acusados de serem "kulak stooges" (pidkurkul'nyky em ucraniano), expressão dirigida aos camponeses mais pobres que se recusaram a se juntar a uma fazenda coletiva. Os comunistas acreditam, não sem razão, que os Katrannyks escondem um caro cálice sagrado de uma igreja local, saqueada por ativistas ateístas, e primeiro torturam o marido, Myron (interpretado por Heorhii Moroziuk) e, depois, tentar coagir sua esposa Odarka (Halyna Sulyma) na confissão, dando-lhe um pedaço de pão e prometendo encontrar os membros da família que desapareceram. A localização do cálice ficou um segredo para os comunistas. O filme não questiona a decisão de esconder o cálice ao custo de deixar toda a família perecer (poderiam, ao contrário, tê-lo vendido em uma loja de Torgsin em troca de comida tão urgentemente necessária), Mas, pelo menos, a dúvida de que Myron e Odarka vão entregá-lo empresta um certo drama adicional ao filme que, de outra forma consiste em uma "série de quadros [...] [com] nenhum desenvolvimento de caráter convencional" (Stephen Holden, The New York Times, 15 de dezembro de 1993).

A estréia do longa-metragem de Ianchuk, a Fome33 foi filmado de forma apropriada, preto e branco, em locações nas regiões de Kyiv, Chernihiv e Poltava. A cor foi usada apenas nas poucas cenas contrastantes que descrevem as aparições do falecido, ou a pré-fome, a Ucrânia feliz e abundante. Muitas seqüências em preto e branco, escassas em diálogo, esforçaram-se claramente por conseguir um efeito estilo noticiário para compensar a falta de imagens reais associadas à fome. Ao mesmo tempo, os episódios de tortura, bem como a cremação dos mortos e gravemente feridos em valas comuns não marcadas, só poderiam convidar comparações emocionalmente carregadas com a evidência visual amplamente disponível sobre os crimes nazistas contra a humanidade, a ironia cruel que é a o tratamento indescritível das vítimas da fome pelas autoridades soviéticas antecedeu os crimes nazistas.

No final do filme, Andrii pergunta a um mendigo idoso e desnutrido, que ele encontra por acaso, onde todos os aldeões estão: "A praga os levou?" "Não é a praga, é o estado", vem a resposta. Dois indivíduos são destacados em particular como responsáveis pessoais pela fome: Viacheslav Molotov (Chefe da Comissão Extraordinária de Entrega de Grãos na Ucrânia na época) e Lazar Kaganovich (um emissário do Comitê Central do Partido Comunista, encarregado de acelerar a coletivização). Ianchuk até pretendia enviar uma cópia de Famine '33 para Kaganovich, mas este morreu pouco antes da sua conclusão. É certo que a mensagem política do filme não é sutil, nem complexa (as imagens apocalípticas do livro de Barka não chegaram à tela). No entanto, deve-se dizer que o acesso a muitos documentos de arquivo relacionados à fome só foi concedido aos historiadores após o lançamento do filme e o debate acadêmico sobre o significado e o alcance precisos desses documentos ainda está em andamento, enquanto o filme foi filmado a partir do ponto de vista dos ucranianos comuns que não tinham forma de saber se a fome aconteceu intencionalmente, ou por má administração, ou uma combinação destes, mas tendeu a personalizar questões.

Totalmente consciente da natureza explosiva do conteúdo do filme (alguns dos colegas de Ianchuk nos Estúdios de Dovzhenko pensaram que ele poderia ser preso quando ocorreu o Putsch de agosto de 1991), o diretor buscou financiamento independente desde o início do projeto, para minimizar o perigo de a interferência potencial dos censores. Através de vários jornais, Ianchuk apelou à população para o patrocínio (e, assim, inaugurou a era do filme independente ucraniano). A resposta foi esmagadora. O filme também teve um importante suporte financeiro de um banco comercial da região de Transcarpathian, chamado Lisbank, que concordou em emprestar os fundos para Ianchuk com a condição de recuperá-los mais tarde com os resultados do filme. No entanto, quando os representantes do banco viram o filme em 1991, no primeiro Festival de Cinema All-Ukrainian em Kiev (onde Famine '33 recebeu o prêmio principal), eles decidiram perdoar a dívida e pediram ao diretor que garantisse que o filme chegaria ao maior público possível. Em 30 de Novembro de 1991 (a noite anterior ao referendo da independência da Ucrânia), Famine '33 foi transmitido por um canal de televisão ucraniano líder, depois de Ianchuk ter renunciado à taxa de transmissão.

Desde então, o filme foi exibido regularmente na televisão ucraniana, entrou no currículo escolar da Ucrânia e deve ter ajudado a formar uma influente opinião pública de que a fome de 1932-33 foi um ato de genocídio (como declarou o Parlamento ucraniano em Novembro de 2006). A exposição do filme no exterior também não foi desprezível. Foi mostrado em vários festivais internacionais, por exemplo, em Washington, Los Angeles e Moscou em 1992 e em Karlovy Vary e em Bruxelas em 1998. Recentemente, em fevereiro de 2009, recebeu um Prix Henri Langlois Européen no Festival Vincennes do cinema patrimonial e cópias restauradas.

Dado que, em maio de 2009, o Ministério Público do Ministério Público de Ucrânia iniciou uma investigação criminal contra os autores da fome, é pouco provável que a relevância de Famine '33 diminua tão cedo...